Ética na propaganda

Quando surgiu a oportunidade de escrever para um público tão diferente da atual “turma” que tem acesso aos textos que costumo produzir, me ofereci – de forma quase vergonhosa – para fazê-lo, pois o assunto que me foi apresentado é simplesmente fascinante, ao menos para mim: os efeitos do Direito sobre a produção das Agências de Comunicação; ou, por outro viés, os efeitos da propaganda, publicidade etc. sobre aspectos jurídicos da vida moderna.

O tema fez a minha cabeça girar, no que pode ser chamado de verdadeira vertigem, pois pus-me a procurar o cerne desta relação – não quero de forma alguma ser definitivo -, e uma única palavra surgiu durante a pesquisa, talvez tenha sido uma pesquisa pequena: ética.

E, tudo considerado, veio a minha mente a evolução de toda propaganda a que somos expostos, TV, merchandising, texto em jornal, nomes de times em esportes, nome dos estádios que os times jogam, enfim tudo o que consumimos culturalmente, andando na rua, assistindo jogos esportivos, TUDO! Então onde está o limite? Qual o limite da propaganda? Onde se deve desenhar a linha?

A resposta a estes questionamentos só pode vir da ética a que estão submetidos estes segmentos da economia, isto mesmo, da economia. Ora, não poderia ser diferente, duas das maiores empresas do mundo, atualmente, as desconhecidas Google Inc. e Facebook S/A sobrevivem de vender seus espaços e serviços a vocês comunicadores e às pessoas comuns.

Assim, se complica ainda mais a resolução do problema, pois a lógica agora é a do mercado  capitalista, o que torna, sem dúvida, mais difícil definir e limitar a atuação de vocês profissionais pela ética.

Como diria um papa do marketing, Steve Jobs “mais uma coisa”, um novíssimo ingrediente, uma discussão da moda, se publicidade é arte, e acredito que pode ser, mais uma responsabilidade é jogada sobre os ombros daqueles que produzem e criam tais peças, pois o artista quer queira, quer não, tem uma terrível responsabilidade com a sociedade em que vive e com o tempo que se encontra.

Isto só para tocar a superfície da questão e neste primeiro momento é isso que devemos fazer apenas riscar a face do problema, para tentar virá-lo ao avesso, para depois colocando-nos como observadores identificar responsabilidades e outras questões jurídicas diante da criação publicitária.

 

Douglas Costa

Advogado

Tags: